UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL
FACED - PEAD
Curso de Pedagogia a Distância/FACED/UFRGS.
Disciplina: Seminário Integrador II.
Prof.ª Marie Jane Soares
Nome: Cinara Maria de Barros Evaldt.
Memorial Infância
Memorial apresentado a interdisciplina do Seminário Integrador II
Curso de Pedagogia
UFRGS
Deixem-nas Ser
Vejam que as suas mãos tão pequenas dão mesmo conta é das bolas de gude!Vejam quão serenas, Mas plenas de atitude...E com que apreço amassam a terra que vira bolos e doces dos mais diversos sabores. (E sonhos de múltiplas cores!)
É tempo de infância!Tempo de subir,e descer: crianças.Deixem-nas ser!
Vejam: não conhecem a gravidade!E com que prazer desafiam o vento se lhes quer levar a pipa tão colorida(e a vida... e a ingenuidade...)que aprenderam a desenvolver no curto tempo que têm sem crescer...
Um Novo Tempo precisa nascer!Deixem que sejam crianças!Deixem-nas viver!
Não lhes imponham a arte do ofício!Deixem que seus dedos curtos, e puros,desenhem letras, árvores, flores;levantem pontes, derrubem muros;tracem amores;desfaçam laços;criem, apaguem, recriem os traços do mundo que elas precisam olhar, ver e refazer...Deixem-nas escolher!No curto tempo que têm pra crescer...
Crianças é o que precisam ser!Dêem-lhes tempo! Deixem-nas aprender!Sem medo dos tempos que passam,deixem que inventem, que façam o Novo Tempo nascer!
Ederson Peka
& Célia Lima

DADOS DOS INFORMANTES:
1. Nome: Herculano Leffa Evaldt
Idade: 67 anos
Situação Atual: Comerciante Aposentado
2. Nome: Olga Barros Evaldt
Idade: 62 anos
Situação Atual: Professora Aposentada
3. Nome: Belmira de Barros Berg
Idade: 57 anos
Situação Atual: Vereadora e Professora Aposentada
ROTEIRO DAS ENTREVISTAS
* Como foi meu nascimento?
* Como foram os primeiros dias?
* Qual a reação de meu irmão mais velho com minha chegada?
* Onde foi realizado meu batizado?
* Com que idade nasceu o meu primeiro dente?
* Com que idade comecei a caminhar e falar?
* Quais as minhas travessuras?
* Quais as minhas brincadeiras preferidas?
* Como era o meu comportamento?
* Como reagi com o nascimento de minha irmã?
* Como foi minha inserção na escola?
* Fatos interessantes?
RELATO A PARTIR DA ENTREVISTA
Meus pais relataram que planejaram minha chegada.
Quando minha mãe engravidou, meu irmão mais velho tinha quase 6 anos e minha prima que era criada como filha, tinha 15 anos. Todos estavam radiantes e anciosos pela chegada do bebê.
Os pais de minha prima resolveram levar ela pra casa deles em Gravataí, mesmo contra sua vontade. Minha família sofreu muito, principalmente minha mãe que estava com ela há quase 10 anos.
A partir desse relato descobri porque sou tão chorona (risos). Minha mãe me disse que por ter muitas saudades de minha prima chorava muito durante minha gestação.
Nasci no dia 29 de julho de 1980, às 13h e 15 min, pesando 3,2kg, no Hospital Nossa Senhora dos Navegantes, em Torres e de parto normal.
No mesmo ano o Papa João Paulo II estava visitando o Brasil pela primeira vez, ele foi recebido pelo general João Figueiredo, o último presidente do regime militar, e se reuniu com sindicalistas em São Paulo, entre eles Luiz Inácio Lula da Silva.
Minha mãe conta que foi uma felicidade quando me viu. Logo depois que nasci ainda na sala de parto me colocaram sobre ela e eu olhei com os olhos bem abertos e fiz um sorriso, foi muita emoção.
Meu pai sempre diz que até os vizinhos fizeram festa quando souberam que era uma menina. Quando cheguei à casa muitos deles estavam esperando pra ver a “linda menina”, nesta ocasião ganhei vários presentes, na maioria deles vestidos.
Com sete dias me “finei” pela primeira vez. Eu estava nos braços de minha mãe e derrepente eu fiquei “roxa” e “molenga”. Desesperada ela pensou que eu estivesse morrido e sem pensar me atirou da porta do quarto em cima da cama, em uma distância de mais ou menos três metros. Com o impacto da queda na cama eu chorei, ela correu me pegar e daí já não sabia quem chorava mais eu ou ela.
A partir desse dia meus pais me levaram em vários médicos, mas nada encontravam e eu continuava me finando por qualquer coisa ao invés de chorar. O remédio foi dar umas palmadas para aprender a chorar (por ordem médica é claro) e assim fiquei curada.
No início meu irmão ficou um pouco enciumado, mas depois de algum tempo adorou a idéia de ter um bebezinho em casa.
Fui batizada no mês de setembro na Igreja Matriz de Três Cachoeiras pelo Pe Rizzieri Frederico Delai e foram os padrinhos Jovina Leffa Evaldt (minha avó paterna) e José Schwanck Evaldt (afilhado de minha avó).
Meu primeiro dentinho apareceu por volta dos seis meses de idade e a primeira pessoa quem viu foi minha mãe.
Com nove meses comecei ensaiar algumas palavras, “mama” (mamãe), “mamo” (mano) e “papa” (papai).
Eu não engatinhei, comecei a caminhar quando eles menos esperavam, com dez meses mais ou menos. Minha mãe estava brincando comigo, me chamou e eu abri os bracinhos me equilibrando e fui ao seu encontro, claro que foram apenas alguns pacinhos, mas depois disso vivia me apoiando em móveis para caminhar.
Quando completei um ano meus pais fizeram uma festa de aniversário com os familiares próximos e vizinhos. Neste período eu já pedia quando queria fazer minhas necessidades e não usava mais as fraldas, nem mesmo à noite.
No dia 5 de setembro de 1981, João Carlos de Oliveira, o “João do Pulo”, ganhou a medalha de ouro em salto triplo na 3ª Copa Mundial de Atletismo, em Roma. Ele atingiu o auge da carreira nos anos 70, com o recorde de 17,89 metros, no Pan-Americano do México, em 1975. A marca foi imbatível por dez anos.
Eu era muito calma, pra alegria e meus pais, já que meu irmão era um “terror”. Minha mãe diz que eu ficava hora brincando com uma bonequinha na mesinha da sala, ou olhando televisão.
Quando eu estava com um ano e dez meses minha mãe ficou grávida novamente, em seguida vieram as negociações. Antes de minha irmã nascer eu já havia concordado em dar meu berço para o bebê e passei a dormir em uma cama de solteiro. Minha irmã nasceu e eu já estava com dois anos e sete meses, eu adorei minha irmãzinha, queria brincar com ela como se fosse uma boneca, trocar as roupinhas, ajudar dar banho... Lembra a minha tia Belmira que na época ficou um tempo em nossa casa para auxiliar minha mãe.
Nessa época já estávamos em fevereiro de 1983 e nesse mesmo ano a Xuxa estreiava como apresentadora infantil na TV Manchete com o programa Clube da Criança. Este ano foi declarado pela ONU como o Ano Mundial das Telecomunicações.
No ano de 1984 nascia o primeiro bebê de proveta brasileiro, que foi chamada de Ana Paula Caldeira, ao mesmo tempo em que minha irmã completava um ano.
Minha mãe vestia eu e minha irmã como se fossemos gêmeas, só mudando as cores das roupas. No começo nem entendíamos, mas com o passar do tempo começamos a reclamar.
Já estávamos em 1985, este ano foi declarado o Ano Mundial da Juventude, e eu ainda era uma criança, agora com cinco anos. Nesse período eu adorava brincar de bonecas.
Em minha casa tinha, e ainda tem uma enorme calçada que costumávamos encher de coisas para brincar de casinha. Eu e minha irmã, com mais umas seis amigas montávamos uma casinha para cada na calçada. Hoje minha mãe diz que parecia um “acampamento” de tanta coisa espalhada.
Nos dias de chuva brincávamos dentro de casa. Um dia repartimos o quarto de meus pais em duas partes, de um lado era minha casa e do outro a casa de minha irmã. Neste dia eu me lembro bem, fomos limpar nossas casas e minha irmã pegou um pano com água e sabão para lavar a televisão, e assim o fez, quando eu vi fiquei com medo da reação de meus pais. Quando minha mãe chegou não tinha muito que fazer a TV já estava molhada. Levamos um sermão e tivemos que desmontar nossas “casas”.
O que eu mais gostava de fazer era brincar de casinha, bonecas, escolinha, jogar bola e também de olhar televisão, principalmente o programa da XUXA, os ursinhos carinhosos, os smurfs, os trapalhões e o sítio do pica - pau amarelo.
Em 1986 foi criado o Plano Cruzado, plano econômico que previa congelamento e tabelamento de preços e salários. No dia 26 de abril desse ano CHERNOBYL é assolada por um desastre nuclear produzindo uma nuvem de radioatividade que atingiu a União Soviética, Europa Oriental, Escandinávia e Reino Unido. Esse mesmo ano ainda foi eleito o Ano Mundial da Paz pela ONU.
Entrei no pré-escolar com sete anos, ou seja, em 1987. Lembro-me muito bem dos preparativos para o início das aulas, da compra da lancheira, os lápis de cor, o uniforme sempre impecável.
Adaptei-me muito bem à escola. Minhas aulas eram pela manhã e minha mãe me levava até a escola todos os dias, antes de ir para a escola em que lecionava, e quando voltava passava para me pegar.
Eu era comportada e muito tímida, dizendo minha mãe, que era a única reclamação que teve de mim na escola até a 4ª série. Meus trabalhos e meu material eram bem caprichados.
Neste ano lembro-me de um acontecimento que marcou muito, acho que pela vergonha que senti: um dia na hora da merenda, estávamos todos tomando sopa, que eu adorava. O meu colega esbarrou em minha mesa, onde estava a sopa, que virou em mim. A sopa estava quente, e me queimei. Imediatamente me levaram para a secretaria onde me tiraram à roupa e me deixaram somente de calcinha para passar um remédio nas queimaduras (na barriga e nas pernas), que graças a DEUS não ficou marcas. Fiquei lá esperando até minha mãe me levar outra roupa para ir pra casa.
No dia 17 de agosto do corrente ano morreu Carlos Drummond de Andrade, poeta, contista e cronista brasileiro.
Em 1988 entrei na 1ª série já sabendo escrever algumas coisas como meu nome, de meus pais e irmãos. Nesta época lembro-me que ficava enfurecida com minha mãe por que ela não achava piolho em minha cabeça. Como que a professora achava piolho na cabeça de alguns colegas e na minha não. Eu adorava que mexessem em meus cabelos, acho que é por esse motivo que queria ter piolhos.
Tinha um tempo em que o governo mandava sacos de 5 kg de arroz com uns pedacinhos de carne de soja para distribuírem pras famílias de crianças carentes. Nos dias determinados as crianças que recebiam o arroz passavam na cozinha no final da aula para pegar. Eu com os meus 7 ou 8 anos, não lembro ao certo, sempre quis ganhar também, mas como sempre, tinha vergonha de falar.
Certo dia a vontade falou mais alto e deixei a timidez de lado, entrei na fila do arroz. Apesar de estar com as mãos suando de nervosa permaneci ali. Quando chegou minha vez disseram que eu não poderia ganhar, não me explicaram por que, só disseram que não, continuei insistindo e fiz uma confusão. Eu não entendia a razão de apenas algumas crianças poder levar para casa. Incomodei tanto que a diretora a Sr.ª Lurdes Stona se obrigou a me dar um também. Antes que eu chegasse em casa ela ligou para minha mãe relatando o fato.
Fiquei tão feliz, fui logo para casa, mal conseguia carregar o saco de 5 kg de arroz.
Hoje entendo os motivos, talvez, se tivessem me explicado na ocasião eu teria entendido, ou não.
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